Nos finais dos anos 90 e início do ano 2000 alguns modelos de desenvolvimento económico das regiões rurais e de baixa densidade apontavam para a disseminação de redes de banda larga e para a conectividade como elementos de diferenciação dos territórios.

A União Europeia promoveu diversos programas de financiamento de Redes Comunitárias de Banda Larga e Redes de Nova Geração essencialmente vocacionados e dirigidos para territórios de baixa densidade, assumindo essa prioridade, não só na vertente estratégica mas numa vertente de investimento e financiamento que ainda hoje se mantém.

Algumas regiões da Europa, como a Terra Quente Transmontana, no Norte de Portugal, assumiram esse desafio e concretizaram a construção de uma rede comunitária de banda larga, interligando cinco concelhos (Mirandela, Macedo de Cavaleiros, Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães e Vila Flor) dotando a região dessa infraestrutura. Cerca de 250 Km de fibra óptica!

De forma célere os operadores de telecomunicações privados responderam com a construção de novas redes e mesmo o Governo de Portugal lançou uma iniciativa dedicada a zonas ainda não dotadas destas infraestruturas que garantiu, de um momento para o outro, uma quase integral cobertura das regiões do interior de Portugal com redes de banda larga.

Ultrapassando qualquer expectativa, o passo que parecia mais complicado pelo investimento ou mesmo pela complexidade do território, foi rapidamente concretizado, a região ficou dotado de redes de banda larga, colocando-se em seguida a questão: “o que fazer?”.

Para os municípios da Terra Quente Transmontana mas também para os de toda a região transmontana a questão deixou de ser a banda larga mas a possibilidade única que esta infraestrutura pode proporcionar à moderna gestão autárquica e sim! também em cidades de pequena dimensão.

Sem a dimensão de grandes cidades que hoje afirmam a estratégia Smart como elemento essencial no seu modelo de desenvolvimento económico (Santander, Corunha, Barcelona,...) estes territórios de baixa densidade estão a construir gradualmente a sua própria estratégia, a mobilizar os recursos locais, criar verdadeiros laboratórios e a assumir que a pequena escala e a interioridade pode ser também uma oportunidade.

Mas o verdadeiro desafio não é saber se a estratégia Smart para estes territórios está alinhada com o concreto Smart Cities mas conjugar a singularidade da região de Trás-os-Montes com a capacidade de ser diferenciadora na oferta turística e na oferta gastronómica, na capacidade de fixação de empresas e na valorização das existentes e assim gerar o ambicionando desenvolvimento económico que sempre foi associado à simples expansão de redes de banda larga.

No limite nesta estratégia está e estará sempre o cidadão, o empresário, o visitante ocasional ou turista que pouco preocupado com os rótulos se interroga o que é ser Smart .

De 4 a 7 de Dezembro, na região de Trás-os-Montes/Portugal no evento Smart Travel 14, (www.smartravel14.com) pretendemos revelar uma região única pelas suas esfusiantes paisagens ou pelos seus singulares “saberes e sabores”, mas também lançar o debate sobre o alcance e o impacto de uma estratégia Smart em territórios de baixa densidade que conseguiram vencer o desafio da banda larga e que se preparam agora para mobilizar as suas sinergias, a sua inteligência colectiva e assumir o seu papel nesta nova era digital.

 

António Branco

Presidente da Câmara Municipal de Mirandela


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